RESUMO EXPANDIDO - Empoderamento de Estudantes Negras

INFORMAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS:

RCMOS – Revista Científica Multidisciplinar O Saber. São Paulo – SP ISSN: 2675-9128. São Paulo, ano I, v.1, ed. 12, 2021.

 
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Empoderamento de Estudantes Negras

Empowerment of Black Students


Noelma Rodrigues dos Santos

Graduada em Filosofia-UFMT

Josiane Rodrigues dos Santos

Mestranda em Educação-UFMT

Submetido em: 19/01/2022

v. 2, n. 1, jan-jun. 2022 Aprovado em: 21/01/2022

Publicado em: 01/02/2022

DOI: 10.51473/rcmos.v2i1.280


RESUMO EXPANDIDO

Os desafios de mulheres negras no Brasil são inúmeros. Além de ter menos acesso à educação, aos serviços públicos, ao trabalho, ainda vivenciam uma realidade de violência e estigmatização. E com as meninas negras não é diferente, pois é através da infância que as crianças negras em especial as meninas, se deparam com as primeiras formas de preconceito e acabam sendo vítimas de mais duras formas de violência verbal e em alguns casos físicos. As experiências de meninas negras são marcadas por diversos fatores como racismo, sexismo e classicismo. Esses fatores de opressão estrutural fazem com que as infâncias de meninas negras sejam frequentemente moldadas por estereótipos racistas tendo grandes repercussões diversas para a vida das vítimas.

Uma menina que é empoderada desde cedo certamente se tornará uma mulher mais preparada para lidar com o machismo cotidiano, preconceitos e pressões sociais direcionadas ao seu corpo. Entretanto, antes de começar esse processo, é preciso que a família se empodere. Empoderar meninas é antes de tudo, fazer um resgate histórico-cultural, verdadeiro, de seus ancestrais, pois contribuirá positivamente no processo de construção do empoderamento da menina negra retinta. Freire (2021) ressalta que, é por meio de uma autoanálise crítica que o oprimido, se autoliberta, ou seja, liberta a si mesmo, o autor ainda deixa claro que “Se é mágica a compreensão, mágica será a ação”. Despertando ao leitor sobre a importância de não esperar do outro a libertação, mas do próprio oprimido.

Berth (2019, p.210), vai nesta direção em seu livro “Empoderamento” ao destacar o significado de poder,

Quando assumimos que estamos dando poder, em verdade estamos falando na condução articulada de indivíduos e grupos de diversos estágios de autoafirmação, autovalorização, autorreconhecimento e autoconhecimento de si mesmo e de suas mais variadas habilidades humanas, de sua história e, principalmente de um entendimento quanto sua posição social e política.

Para a autora, o “auto” reconhecer-se é o caminho que leva até o empoderamento e o marco social e político vêm sempre junto com empoderar-se, e está relacionado à libertação social e política de um indivíduo. Com esse olhar, mediado pelo ambiente escolar, à menina negra retinta, ao enxergar o outro dá início ao seu processo de autoconhecimento e a partir disso a construção de sua Identidade negra.

Uma sociedade permeada por uma lógica machista e racista, como é a brasileira, condiciona mulheres e meninas negras a uma situação de duplo processo discriminatório. De acordo com Crenshaw (2002),

a associação de sistemas múltiplos de subordinação tem sido descrita de vários modos: discriminação composta, cargas múltiplas, ou com dupla ou tripla discriminação. A interseccionalidade é uma conceituação de problema que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação. Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classes e outras. Além disso, a interseccionalidade trata da forma como ações e políticas específicas geram opressões que fluem ao longo de tais eixos, constituindo aspectos dinâmicos ou ativos do desempoderamento (CRENSHAW, 2002, p.177)

O conceito de interseccionalidade da autora nos faz refletir a quantas mazelas sociais estão submetidas as meninas, as jovens e as mulheres negras brasileiras, a situação de submissão na maioria das vezes não permite um processo emancipatório, ainda que estas mulheres estejam modificadas o legado histórico de suas ancestrais. É preciso refletir sobre a quantidade de menina que também passaram e passam por esse tipo de violência.

A menina e a mulher empoderada é resistente e costuma ser inspiração para outras, não foi ato a que mulheres negras foram silenciadas, o patriarcado nunca desejou que a mulher negra ocupasse seu lugar de fala. O pensamento eurocêntrico deixa mulheres negras retintas fora das novelas, comerciais, das livrarias, do teatro, da universidade e isso também é racismo. Ribeiro (2000, p.31) esclarece que racismo é um sistema de opressão que visa negar direitos a um grupo, que cria uma ideologia de opressão a ele, isso é recorrente com a mulher negra, que sofre racismo tanto da sociedade em geral, sexismo e ainda machismo.

Quanto ao racismo, ainda de acordo com Ribeiro (2000), existem diversas formas de ser racista, mas ela destaca que para haver racismo é preciso estar relacionada a alguma forma de poder o que vai de encontro ao que Almeida (2021, p. 67) descreve ao mencionar que as Mulheres negras são consideradas pouco capazes porque existe todo um sistema econômico, político e jurídico que perpetua essa condição de subalternidade, mantendo-se baixos salários, fora dos espaços de decisão, expostas a todo tipo de violência.

Esse posicionamento dialoga com Akotirene (2019) que traz o enfoque da interccionalidade sobre a mulher negra, esse termo apesar de poucos conhecerem, diz muito sobre a mulher negra, para a autora a mulher negra precisa ser vista sobre o prisma interccional, pois há nessa mulher algumas sobreposições de opressões: pois além da cor da pele; é mãe solteira; sexismo; mora na periferia das cidades; racismo.

Todo empoderamento deve estar pautado e consolidado na consciência racial de uma garota. O empoderamento, que não está consolidado, mas que tem sido um referencial muito positivo para tratar de resgatar a força das negras meninas em seu processo educativo e em suas vidas como um todo.

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